União Europeia e Mercosul
retomam negociações oficiais
18/05/2010 - DCI
SÃO PAULO - A União Europeia (UE) e o Mercosul concordaram em retomar formalmente a negociação de um acordo de livre-comércio entre os blocos, anunciou ontem, em Madri, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero. "Nós decidimos retomar o diálogo em busca de um acordo que seja ambicioso e equilibrado", declarou.
De acordo com Zapatero, um eventual acordo incrementaria em 5 bilhões de euros o comércio entre as partes. "Diante da tentação do protecionismo, a melhor resposta à crise econômica é promover o comércio", defendeu o chefe de governo.
O presidente do Uruguai, José Mujica, vai apresentar uma reclamação formal à colega argentina, Cristina Kirchner, por proibir navios que transportam mercadoria da Argentina ao Brasil de atracar no porto de Montevidéu. A informação é manchete do jornal uruguaio El Observador. "A resolução implica que a Argentina negará as autorizações de exportação ao Brasil se as embarcações passarem pelo porto uruguaio", explicou a reportagem do diário, que atribuiu as informações a fontes do governo do Uruguai.
O documento de Mujica deve ser entregue a Cristina na reunião que ambos vão ter no próximo dia 4 de junho, na residência oficial de Anchorena, no município de Colônia, Uruguai. Na semana passada, o chanceler uruguaio Luis Almagro adiantou que a agenda bilateral incluía 18 temas prioritários, dentre os quais o monitoramento do rio Uruguai. A notícia sobre o novo foco de conflito entre os dois países surge um dia depois que ativistas argentinos votaram a manutenção do bloqueio da principal ponte que liga os dois países.
Os ativistas fecharam a ponte há quase quatro anos para protestar contra a instalação da fábrica de celulose e papel às margens do rio Uruguai, que divide os dois países.
Construída em solo uruguaio, na pequena Fray Bentos, a fábrica se localiza em frente à cidade argentina de Gualeguaychú. Moradores e ambientalistas alegam que a unidade polui as águas do rio. Os ativistas reunidos na Assembleia Ambiental de Gualeguaychú afirmaram que "o bloqueio vai durar, talvez, 10 anos mais".
O Uruguai alega que o fechamento da ponte provoca prejuízos ao país. Há quase um mês, o Tribunal Internacional de Justiça concluiu que a contaminação do rio não está comprovada. Mas determinou que o Uruguai violou o tratado bilateral ao não informar a Argentina sobre a construção da fábrica.
No entanto, o TIJ disse que a unidade pode permanecer no local onde está instalada.
|