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Comércio mundial volta a perder força


01/09/2010 - O Estado de S.Paulo

O comércio mundial volta a perder força e as exportações internacionais sofrem uma nova contração, em mais um sinal de que a recuperação econômica será mais lenta do que muitos previam.

Dados divulgados pelo Escritório de Análise Econômica da Holanda apontam que as exportações sofreram uma queda de 0,3% em junho, ante uma expansão de 2,3% um mês antes. Os dados da organização são usados por instituições como o FMI e a União Europeia para basear suas previsões.

O comércio já havia sido uma das primeiras vítimas da crise financeira iniciada há dois anos. Os fluxos de exportação e importação em 2009 acabaram registrando o pior desempenho em 70 anos, com uma contração de 12,2%.

Para 2010, a Organização Mundial do Comércio (OMC) previa uma recuperação das exportações e chegou a rever para cima suas estimativas. A última projeção é de uma alta de pelo menos 10% no comércio neste ano.

Mas, diante do resultado do mês de junho, a recuperação pode ter sido freada. No primeiro trimestre de 2010, a alta havia sido de 5,7%, depois de uma expansão de 6,1% nos últimos três meses de 2009. Já no segundo trimestre do ano, a expansão foi de apenas 3,6%.

Os dados reforçam as indicações do Federal Reserve Bank (Fed, banco central dos EUA) e do governo chinês de que o ritmo de recuperação de suas economias têm sido menor.

Economias ricas. Nas economias ricas, a exportações aumentaram em apenas 0,6% em junho, ante 2,2% em maio. Nos Estados Unidos, as vendas sofreram uma contração de 1,5% e, no Japão, a queda chegou a 1,8%. Ambos haviam registrado crescimentos em maio deste ano em suas exportações.

Entre os países ricos, a queda apenas não foi generalizada graças ao desempenho da Alemanha. As exportações da maior economia do continente permitiram que a União Europeia registrasse uma aceleração de suas vendas, passando de 2,2% em maio para 3,5% em junho.

O freio nas exportações afetou de forma pronunciada os países emergentes, muitos deles dependentes das vendas para os mercados dos EUA e China. Em junho, a queda das exportações foi de 1,1%, contra uma expansão de 3,2% em maio.

Todas as regiões emergentes sofreram quedas. Na Ásia, a redução do dinamismo chinês fez com que os países da região registrassem uma queda de 1,2% nas vendas. Na América Latina, o bom desempenho do início do ano foi revertido. Depois de crescer 1% em abril e 0,5% em maio, a região registrou uma queda de 0,7% em junho.

Já as importações da América Latina seguiram o caminho inverso. Depois de cair em 2% em maio, tiveram alta de 2,8% em junho. Com uma expansão superior a dos países ricos e crescimento do consumo interno, os países em desenvolvimento têm registrado uma alta nas compras externas, o que estaria contribuindo ainda para um aprofundamento dos desequilíbrios nas balanças comerciais.

Tendência invertida
0,3%
Foi quanto caíram as exportações na Holanda em junho, ante uma expansão de 2,3% em maio, segundo dados do Escritório de Análise Econômica do país

12,2%
Foi a contração dos fluxos de exportação e importação no comércio mundial em 2009, o pior desempenho em 70 anos.


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