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Economistas mudam suas projeções
para indicadores


03/11/2010 – DCI

SÃO PAULO - Desde segunda-feira especialistas voltaram suas atenções para o próximo ano, principalmente por causa das escolhas a serem definidas pela presidente eleita no domingo, Dilma Rousseff, no âmbito econômico. "Passado o período eleitoral, expectativas se voltam para a composição do novo governo, especialmente na área econômica [Planejamento, Fazenda e Banco Central]", afirma o economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto.

Por outro lado, como a eleição da candidata do PT despontava como "quase certa" nas pesquisas eleitorais, muitos economistas consideram que haverá uma continuidade - pelo menos em 2011 - da condução econômica realizada pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. O economista da Tendências Consultoria, Gian Barbosa, faz parte deste grupo. "Nosso cenário para 2010 e para 2011 não mudou. Acredito que como ela já atuava no governo de Lula, e nada mudou até agora, não haverá alterações no seu mandato. As previsões, porém, dependerão dos nomes que ela indicar para os ministérios, e principalmente para o Banco Central (BC)", destaca. Barbosa prevê, mesmo assim, que as previsões devem oscilar até o fim do ano, "mais por conta dos indicadores econômicos". "As estimativas de PIB [Produto Interno Bruto] vêm aumentando a cada semana devido aos reflexos dos principais indicadores econômicos, como o preço dos alimentos, a força do mercado de trabalho e o aumento do crédito", diz ele, ao se referir ao relatório Focus, divulgado pelo BC.

Segundo o documento da autoridade monetária, a previsão do mercado para a alta do PIB passou de 7,55%, registrado na semana passada pelo BC, para 7,60%. Barbosa projeta expansão econômica de 7,2%. Com relação a 2011, ele estima que também haverá mudanças no Focus, cuja previsão dos analistas consultados pelo BC permanece a 4,5% há 47 semanas. A perspectiva da Tendências para o próximo ano é de alta do PIB de 4,8%.

Além da expectativa de avanço econômico, o analista acredita que as previsões da taxa básica de juros (Selic) para este ano também devem oscilar. "O aperto monetário que aconteceu em 2010 deverá ser ineficiente para conter a pressão inflacionária. Por causa da demanda aquecida que deve prosseguir em 2011, o Copom [Comitê de Política Monetária] poderá elevar a taxa Selic no início do próximo ano", indica. O especialista projeta que, em 2010, a taxa de juros vai terminar nos atuais 10,75% - conforme a maioria dos especialistas prevê -, mas deve subir 0,5 ponto percentual em março e fechar 2011 a 12,75% ao ano. Diferentemente, os analistas entrevistados pelo BC projetam que a Selic terminará em 11,75% no ano que vem.

Para a inflação, a Tendências aguarda alta de 5% neste ano e de 5,2% em 2011, diferentemente do registrado no Focus, cuja mediana das perspectivas é de elevação de IPCA a 5,29%, ante 5,27% previsto anteriormente, e de 4,99%, no próximo ano, contra 4,98% estimado no documento passado.

Contas públicas

Outro ponto de preocupação para o novo governo é com relação a gastos públicos. De acordo com o economista do Itaú Unibanco, Luiz Cherman, em seu primeiro discurso Dilma falou em "não deixar o governo gastar mais do que arrecada", mas não se comprometeu a realizar um ajuste fiscal. "Ao invés disso, ela prometeu melhorar a qualidade do gasto e simplificar o sistema tributário", analisa.

"Entre outros aspectos, a questão fiscal e a concessão de crédito oficial são cruciais para determinar os cenários mais prováveis em 2011, dado que a manutenção de tais impulsos à demanda interna tem contribuído para intensificar desequilíbrios importantes", aponta Campos Neto. Segundo o Focus, a previsão da dívida pública em 2010 passou de 40,89% para 40,87% do PIB. Para 2011, o indicador recuou de 39,64% para 39,57%.

Prêmio

Ainda ontem, o BC informou que o Sistema de Expectativas de Mercado da autoridade monetária obteve o segundo lugar na segunda edição do Prêmio Regional para Inovação em Estatística para a América Latina e Caribe. O resumo da apuração feita pelo BC está no relatório Focus.

Programas e atividades estatísticas de 26 países da América Latina e do Caribe foram avaliados por comitê de especialistas do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, do IADB, do Eurostaat e do Instituto de Estatística da Espanha. Os trabalhos vencedores serão incluídos em publicação do Banco Mundial.

O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, mostra que o mercado espera um crescimento econômico de 7,60%, e calcula que a inflação oficial medida pelo IPCA chegue a 5,29%.


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