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O câmbio expõe divisão no governo


13/04/2011 - DCI

São Paulo - Durante sua passagem pela China a presidente Dilma Rousseff sinalizou sua apreensão para com a questão cambial brasileira ao dizer que o valor excessivo do real, na comparação com o dólar, é uma "grande preocupação".

"Nós temos tomado todas as medidas possíveis para enfrentar o problema do câmbio num quadro em que a política cambial é flexível. Todos nós sabemos perfeitamente por que nós estamos [fazendo isso]", afirmou a presidente, durante a visita.

Dilma enumerou as questões que geram a valorização do câmbio brasileiro, como a inundação de recursos provocada pelo mecanismo chamado quantitative easing" (injeção de dinheiro na economia) adotado pelos Estados Unidos, passando pelos ajustes orçamentários nos países desenvolvidos e chegando "até ao fato de o Brasil ainda operar com taxa de juros mais elevada do que o resto do mundo".

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, que também está na China, voltou a criticar a política cambial do Brasil. Ele disse que o País precisa fazer mais para impedir o fortalecimento do real porque a valorização da moeda pode causar problemas para a economia.

Coutinho criticou a equipe econômica comandada por Guido Mantega em um evento com mais de 200 empresários. Ele condenou o fato de o governo priorizar o controle da inflação, abandonando o compromisso de segurar o câmbio a R$ 1,65. Coutinho afirmou ainda que falava em nome de dois ministros: Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), o que deixa claro uma certa divisão no governo, sinal já percebido pela ausência de Guido Mantega na comitiva de Dilma na China.

Paralelamente aos discursos, Dilma tem fechado diversos acordos nesta sua visita ao país asiático. A presidente anunciou ontem que a Foxconn, empresa de Taiwan que atua na montagem de produtos eletrônicos para marcas como Apple e Sony, deverá investir US$ 12 bilhões (R$ 18,9 bilhões) em uma fábrica no Brasil em até seis anos. A unidade brasileira produzirá displays para tablets como o iPad e outros eletrônicos, como celulares.


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