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  Exportadores não conseguem
renovar ACCs

Fonte: O Estado de S. Paulo - 25/09/2008
 
  A grande maioria das empresas exportadoras brasileiras não tem conseguido renovar as operações de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) feitas nos últimos 180 dias e agora vencendo. Alegando falta de liquidez, provocada pela crise financeira internacional, os bancos estrangeiros têm deixado de emprestar dólares ou euros para os bancos brasileiros repassarem o equivalente em reais às exportadoras. Sem esse crédito que é usado para o capital de giro, as empresas não têm como financiar a produção das exportações futuras.

"Isso é que nem um conta-gotas: a cada dia afeta mais empresas, agravando a situação", diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os ACCs são a modalidades de financiamento a exportações mais difundidas no mercado. Eles respondem historicamente por mais da metade do volume de câmbio contratado. O exportador recebe antecipação, parcial ou total, em moeda nacional do valor equivalente à quantia em moeda estrangeira comprada a termo pelo banco, descontada a uma taxa de juros internacional à qual é somado o spread que embute o risco da operação. Essa antecipação de recursos representa importante incentivo à exportação, na medida em que dá meios ao exportador para custear o processo de industrialização e de comercialização a taxas inferiores às do mercado doméstico.

"Se ficarmos três meses sem ACCs, a conseqüência será gravíssima nas exportações brasileiras", ressalta Giannetti da Fonseca. Segundo ele, a taxa dessas operações, que antes era de 3% a 4% ao ano, hoje está em 9% a 11%, e só para empresas que oferecem baixíssimo risco de crédito.

Para resolver o problema, a Fiesp propôs na terça-feira ao Banco Central (BC) usar US$ 20 bilhões das reservas internacionais do País (hoje em mais de US$ 200 bilhões), para que os bancos brasileiros com agências no exterior tenham capacidade de reemprestar aos exportadores. "Isso não representa nenhum risco, pois o BC vai estar correndo o risco dos bancos, risco que hoje ele já tem de forma sistêmica."
 
 
 
 
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