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Brasil e Argentina começam a
solucionar questões comerciais


10/12/09 - DCI

BUENOS AIRES - O Brasil e a Argentina decidiram ontem iniciar uma análise sobre a possibilidade de reduzir o número de produtos sujeitos às licenças não automáticas de importação, que têm prejudicado o comércio bilateral. Uma nota divulgada pelo Ministério de Indústria e Turismo da Argentina afirma que os dois países "reafirmaram sua vontade de fortalecer o vínculo comercial". A Comissão Bilateral de Comércio, que se reuniu em São Paulo ontem, "verificou a agilização da tramitação da aprovação das licenças não automáticas [LNA] de importação que aplicam ambos os países e se comprometeu a continuar avançando neste caminho", diz a nota.

O texto informa ainda que a comissão "avançou na agenda para o encontro que os ministros de Indústria, Economia e Relações Exteriores de ambos os países terão no início de fevereiro", conforme ficou acertado no último dia 18, durante reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, em Brasília. Por decisão de ambos, os ministros vão ter que se reunir a cada 45 dias para aparar as arestas entre os dois sócios. Um dia antes do encontro dos ministros, será realizada, segundo a nota, a reunião do Comitê Automotriz Bilateral.

Participaram da reunião os secretários Executivo e de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Ivan Ramalho, e Welber Barral, respectivamente, e o secretário de Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, além de técnicos de ambos os lados.

A reunião ocorre menos de um mês depois que o governo argentino reafirmou que vai manter as barreiras contra as importações, segundo discurso da ministra de Indústria e Turismo, Débora Giorgi. Durante a abertura do Congresso Nacional da Indústria Madeireira, no fim de novembro, em Buenos Aires, Giorgi disse que "as licenças não automáticas para diferentes categorias de móveis estão em pleno vigor", apesar das reclamações dos exportadores brasileiros e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"As licenças não automáticas vão continuar sendo aplicadas nos setores que são convenientes para o desenvolvimento da indústria nacional e a preservação dos postos de trabalho", argumentou a ministra. Giorgi ressaltou que os governos brasileiro e argentino vão fazer um "monitoramento estrito" dos acordos de "autolimitação" das exportações. Em junho passado, a Associação Brasileira de Móveis (Abimóveis) concordou em vender ao mercado argentino 65% menos do que exportou no ano anterior ao vizinho, após muitas negociações.

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