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Setor de serviços aumenta fatia
em remessas ao exterior


14/01/10 – DCI

SÃO PAULO - O setor de serviços foi um dos principais responsáveis pelo total da remessas de lucro e dividendos do Brasil para o exterior. Dados do Banco Central atualizados até novembro do ano passado indicam um aumento na participação do setor no total das remessas. De acordo com especialistas, os números foram resultado da economia brasileira durante o período da crise financeira.

A participação do setor passou de 31,5%, verificado entre janeiro e novembro de 2008, para 38,5% no mesmo período do ano passado, mesmo com uma queda no volume na comparação, cujo valor caiu de R$ 6,6 bilhões para R$ 5,4 bilhões. Em ambos períodos a remessa de serviços financeiros foi a maior. Entretanto, com relação à participação houve uma ligeira queda de 11,8% (US $2,4 bilhões) para 11,1% (US$ 1,5 bilhão). O aumento do total de serviços foi puxado pela área de eletricidade (de 4% para 7,9%, no mesmo período comparado); comércio (com alta de 5,1%, ante 4% do período em 2008) e obras de infraestrutura, com ligeira alta (de 1% para 2,1%).

Um outro fator apontado é uma queda na presença do setor industrial no cenário abordado. A participação caiu de 66,2% para 58,5%. O total da remessa de lucros de 2008 para o ano passado foi de US$ 23,6 bilhões para R$ 6,5 bilhões, uma queda de 72,51%.

O professor da Fia, Keyler Carvalho Rocha, comenta que serviços incluem diversas atividades produtivas beneficiadas pela crise, como agências de viagens e bancos. "Com o dólar mais barato, as pessoas procuraram mais viagens, o que influenciou na remessa de lucros", exemplifica. Outros beneficiados foram os bancos que obtiveram mais lucros no ano de 2009. "Temos exemplos do HSBC e do Citi que vendeu a Visanet e obteve um lucro suficiente para mandar ao exterior, tudo isso aumentou o volume, além da própria atividade cotidiana das instituições financeiras", analisa. Outro ponto analisado por Rocha é de que as matrizes tiveram quedas nos lucros, praticamente obrigando as filiais a mandarem recursos.

Já com relação a 2010, o professor não acredita que haverá maior participação da área na remessa de lucros e dividendos, pois "não há mais pressão das matrizes como houve em 2009". "Pode ocorrer um reinvestimento, ou seja, um investimento externo no País. Tudo vai depender da situação econômica no exterior", reflete.

Na opinião do professor de mestrado em gestão internacional da ESPM, Frederico Turolla, o setor de serviços cresceu porque as empresas ligadas a esta área ganharam mais lucro do que em outras, além de que o desempenho das filiais no País foi melhor do que das matrizes, influenciando no resultado. "O resultado é uma característica particularmente brasileira. A indústria sofreu com a crise, enquanto que a economia brasileira influenciou positivamente o setor de serviços", analisa. Segundo o professor, os setores de infraestrutura, telecomunicações e tecnologia foram importantes na participação. "Somados tem um grande impacto", diz. Porém, apesar de apresentar quedas, Turolla explica que serviços financeiros juntos com infraestrutura representam dois terços das remessas totais.

O professor acredita ainda que a participação da área de serviços deverá crescer. "Fechado 2009, o valor pode ser ainda maior."

Para o economista e analista da Win Trade, José Góes, a redução da produção impactada pela crise foi um grande fator. "Com a crise, é natural que aumente os estoques nas indústrias e caia a atividade. Em contrapartida, com o mercado interno brasileiro aquecido, há mais demanda por serviços", explica. Diferente dos demais especialistas, Góes acredita que o impacto da crise nas matrizes influenciou a diminuição das remessas em todos os setores.

O analista da Win Trade também acredita que, com a economia do Brasil crescendo, também acontecerá o mesmo com a participação do setor de serviços nos envios ao exterior. "O resultado de 2010 pode superar o de 2009."

O próximo resultado do setor externo está programado para ser divulgado pelo Banco Central no dia 20 deste mês.

De acordo com números do Banco Central, as empresas do setor de serviços responderam, até novembro, por 38,5% das remessas em 2009, contra 31,5% no ano anterior.


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