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Exportador cobra medidas do
governo para reverter baixa


25/01/10 – DCI

SÃO PAULO - "Desoneração nas exportações é ficção", afirma o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica, José Sérgio Gomes de Almeida. Para ele, mesmo as reduções tarifárias previstas em lei, na prática, "o exportador não consegue exercer os seus direitos, que são legais".

De acordo com o economista, a situação veio à tona, principalmente com a crise, que "desnudou" a falta de competitividade das empresas. "Alguns setores podem melhorar sua produtividade. O problema não é da fábrica, mas da chamada competitividade sistêmica, onde existem juros muito altos e impostos não passíveis de desonerações do nosso produto exportado, tendo, como consequência uma cara infraestrutura e um encarecimento do produto", entende Almeida.

O governo reconhece as dificuldades enfrentadas pelo setor. Conforme reportagem publicada na última sexta-feira pelo DCI, o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, deverá apresentar, no início de fevereiro, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um plano para impulsionar as exportações, após queda histórica no ano passado. Isto porque, as perspectivas não são muito positivas para 2010. A ideia do plano é incluir desonerações para produtos exportados e medidas para "facilitar o fluxo de comércio". A pasta quer, ainda, que o ministério da Fazenda adote mecanismos visando a devolução rápida dos recursos, que hoje chegam a demorar até seis anos.

O problema do setor pode ser quantificado pelos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). As exportações no acumulado de janeiro a dezembro de 2009 registram um acúmulo de US$ 152,2 bilhões, uma queda de 23,08% com relação ao mesmo período de 2008 (US$ 197,9 bilhões). As importações também caíram 26,31%, passando de US$ 173,1 bilhões para US$ 127,6 bilhões. A balança comercial brasileira (diferença do que entra e que sai de produtos no País) registrou no ano passado um superávit 1,4% menor do que 2008 (de US$ 24,956 bilhões para US$ 24,615 bilhões). Dados mais recentes revelam, ainda, que, na segunda semana do mês de janeiro, a balança comercial apresentou déficit de US$ 592 milhões. O valor negativo é resultante de exportações de US$ 2,420 bilhões e importações de US$ 3,012 bilhões.


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