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Líderes do BRIC buscarão
definir posições comerciais


04/02/10 – DCI

SÃO PAULO - Os líderes dos quatro países que formam o BRIC (sigla criada pelo banco de investimentos Goldman Sachs para se referir a Brasil, Rússia, Índia e China) irão se reunir pela segunda vez em abril, em Brasília, para discutir temas relacionados à crise econômica global, a reforma das instituições financeiras internacionais, o papel dos países no G-20, questões de cooperação energética, acordos tarifários, comércio internacional e o papel crescente do BRIC no cenário mundial.

Economistas especializados em comércio exterior afirmaram que o principal foco do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será com relação aos mercados que antes eram dominados pelo Brasil, como a Argentina, e que hoje tem o domínio das vendas chinesas, pela desvalorização do iuane frente à moeda norte-americana.

A última reunião, realizada em Ecaterimburgo, na Rússia, teve como principal declaração, depois do encontro, alguns objetivos amplos, como a construção de um sistema financeiro mais seguro, a reforma de instituições multilaterais, a conclusão da Rodada de Doha de negociações comerciais e a renúncia ao protecionismo individual.

O subsecretário do Itamaraty Roberto Jaguaribe, pediu que os quatro governos cooperem para enfrentar os últimos efeitos da crise financeira global. Ele acrescentou que o governo brasileiro defende uma reforma "gradual" do sistema financeiro internacional, embora o BRIC não tenha um plano para substituir o papel do dólar na economia global.

O subsecretário assegurou que o BRIC não representa uma ameaça para nenhum país e que no futuro outros países africanos, latino-americanos e asiáticos terão um papel de destaque no crescimento da economia global.

Além disso, deve ser ensaiado um acordo para redução de alíquotas de importação e um Sistema de Moeda Local entre os países-chave em 2010.

No entanto, economistas argumentam que, "no mundo real", a substituição do dólar por outra moeda exige um processo "complexo" e que também precisa levar em consideração o "poder dos mercados."

A proposta de se discutir uma alternativa ao dólar partiu da China, pouco antes da reunião do G-20, em abril de 2009, em Londres. Brasil, Índia e Rússia concordaram em levar a discussão adiante, tornando o tema uma das questões a serem discutidas.

"Qualquer mudança no sistema monetário vai exigir uma coordenação em nível mundial, com a concordância das principais economias. É uma discussão de longo prazo", disse uma fonte do Ministério da Fazenda.

Ao sediar o encontro com Rússia, Índia e China em abril, o governo brasileiro vai tentar acordos com a China para divisão de mercados compradores e também um fortalecimento da Rodada de Doha.


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