Março, 2010 | www.abreti.org.br  

Crédito à exportação
cresce após 9 meses


03/03/2010 – DCI

SÃO PAULO - Uma das modalidades que mais sentiram os efeitos restrição de crédito trazida pela crise financeira no ano passado, as linhas para exportação voltam a se recuperar no início de 2010, depois de seguidas quedas em 2009. Analistas ouvidos pelo DCI acreditam que a manutenção dessa alta irá depender tanto de condições de mercado, com retomada da normalidade no cenário internacional, como de câmbio, com a apreciação do real frente ao dólar.

De acordo com dados do Banco Central, (BC), a modalidade de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC), utilizada para exportação, vinha em queda desde março do ano passado, tendo terminado o ano com uma baixa acumulada de 30,4%, com estoque de R$ 30,052 bilhões em dezembro. No primeiro mês do ano, a linha voltou a registrar alta, de 1%, a R$ 30,368 bilhões. Na modalidade de repasses externos, a baixa já durava desde novembro de 2008, quando tinha estoque de R$ 30,578 bilhões.

Em 2009, a modalidade recuou 58%, a R$ 11,968 bilhões. Em janeiro, a modalidade teve alta de 3,9%, com um saldo total de R$ 12,434 bilhões.

Para o professor de Ambiente Econômico Global do Insper, Otto Nogami, as altas vistas no início do ano são reflexo apenas de preço. "É uma alta atrelada à desvalorização do real." Segundo ele, à medida que a moeda nacional se desvaloriza, o produto brasileiro se torna mais competitivo e as linhas de exportação começam a ser abertas. "Depende da perspectiva de câmbio. Com o patamar atual do dólar a R$ 1,80, a competitividade já aumenta."

Ainda segundo ele, do ponto de vista unicamente de crédito para exportação, uma piora dos cenários internacionais seria benéfica. "Caso o problema na União Europeia se agrave e haja uma piora internacional, o investidor de capital especulativo se retirará de países mais vulneráveis, e o Brasil ainda está nessa lista." Segundo ele, com essa saída de capital estrangeiro, elevar-se-ia o preço do dólar frente ao real e aumentaria a competitividade do produto nacional. "Não adianta ter disponibilidade de crédito se o produto não for competitivo."

Já o professor de Finanças da Brazilian Business School, Ricardo Torres, vê a questão de outro modo. "Essa é a operação preferida por banqueiros e investidores, uma vez que existe lastro em um produto real", avalia. Para ele, com um restabelecimento completo do sistema internacional, o risco para os bancos será ainda mais baixo.

Torres diz ainda que os bancos nacionais estão com um caixa grande em moeda estrangeira para financiar o comércio internacional, então os problemas na União Europeia passam a ter uma influência relativamente pequena. "Essa situação poderia rarear os recursos em moeda estrangeira nas instituições, mas, como estão bem capitalizadas, passa a ter um peso menor", avalia.

Ainda segundo ele, com o aparente retorno gradual a uma situação de normalidade, essas operações irão crescer com ritmo mais forte também. "O dado de janeiro não é pontual. As linhas para exportação devem continuar a crescer, o comércio exterior é o pulmão da economia mundial", compara.

Por outro lado, o financiamento à importações já vem mostrando um fôlego maior desde o último trimestre de 2009, quando esboçou uma alta em novembro, de 1,7% depois de 12 meses de queda. No ano, a linha acumulou uma baixa de 32,4% e encerrou dezembro com estoques de R$ 12,884 bilhões. Em janeiro, com uma alta de 2,3%, chegou a saldo de R$ 13,184 bilhões.

"As importações devem crescer em um passo similar ao das exportações", avalia Torres.

Para ele, as empresas estão estruturadas para essas operações, que devem manter-se aquecidas.


R. Tenente Gomes Ribeiro nº 182-Conjuntos 23/24-Vila Mariana-São Paulo-SP-CEP 04038-040
abreti@abreti.org.br - www.abreti.org.br - Tel./Fax: 11 5084.6439